TOUR NO CEMITÉRIO

Pense bem: tem lugar com mais história reunida? Seguindo o raciocínio de que “as cidades são feitas de pessoas”, não tem um lugar que concentre elementos tão íntimos de uma cidade quanto um cemitério, concorda?

De qualquer forma, você precisa conhecer a visita guiada que fazem no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba. Não precisa ter medo. Além de os mortos já não oferecerem perigo algum, a visita é feita a luz do dia e o local é bem seguro. Tem guarda e tudo mais, mas isso tudo porque já aconteceram alguns roubos de peças antigas de bronze e de muitas coisas com valor histórico por ali.

A primeira coisa que observamos é que muitos dos sobrenomes são bem conhecidos na cidade. Uma grande parte dá nome a ruas, praças e até bairros. A família Hauer, por exemplo, tem um jazigo lá, e outras famílias como Muricy, Slaviero e Requião. O famoso Emiliano Perneta também repousa por lá, assim como outras personalidades da história da capital do Paraná.

Um dos túmulos mais interessantes que vi foi o das irmãs Chambery, que vieram da França no século XIX, para ajudar em obras sociais aqui em Curitiba. Elas foram as fundadoras de diversos hospitais, orfanatos e escolas na capital. O próprio bairro Cajuru ganhou esse nome por conta do nome do hospital e da escola fundados por elas na região que hoje é chamada de Cristo Rei.

O mais impressionante foi o de Maria Bueno, que é considerada uma santa popular por moradores da cidade. Nascida em Morretes, no litoral, morreu assassinada de forma brutal por um soldado, por motivos de ciúme, na região da Rua Vicente Machado em 1893. Depois de alguns anos as pessoas que visitavam o seu simples jazigo começaram a relatar diversos milagres alcançados. Ali têm muitas cartinhas e placas de agradecimento pelas graças alcançadas.

A arte que existe ali como um todo é incrível, desde as obras barrocas até a arquitetura super eclética que demonstra claramente a diversidade cultural da cidade. São construções e sobrenomes de várias nacionalidades: poloneses, italianos, alemães, ucranianos e por aí vai. Tem até um jazigo que imita uma pirâmide egípcia. Em 2017, mais de 2 mil pessoas fizeram o tour.

As visitas guiadas podem ser gerais ou temáticas (conforme as datas especiais), e acontecem em datas variadas e é preciso realizar a inscrição por e-mail. Mais informações você consegue no site da Prefeitura de Curitiba.

Não deixe de conferir!

Gi Salvatti.

 

Blog Zero Clichês
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