Museu do Holocausto – Curitiba

 

Em 2016 fui pra Auschwitz, na Polônia para conhecer o campo de concentração nazista.. A sensação de estar em um lugar como aquele é um tanto quanto estranha. Saber que ali tantas pessoas sofreram pela ignorância e o preconceito é realmente tocante e dá pra sentir ali uma energia pesada.

Sempre gostei de saber sobre estes fatos históricos nos mínimos detalhes, como realmente aconteceram, e a segunda guerra realmente é uma das mais relevantes da história recente do mundo. Então, mesmo com essa enorme carga de tristeza pelos que ali sofreram, foi incrível poder conhecer mais assim de perto.

 

Algumas pessoas podem achar esse tipo de passeio um tanto quanto mórbido. Eu penso que existem algumas histórias nós precisamos conhecer e sentir, principalmente para que elas nunca mais se repitam, mesmo que em pequenas proporções no nosso dia a dia. Ver de perto até onde a intolerância pode nos levar, nos tornamos mais atentos a sermos tolerantes e livres de prejulgamentos.

 

Antes de ir, eu ainda não sabia da existência do Museu do Holocausto aqui de Curitiba, o primeiro desse tema, criado no Brasil. Se eu soubesse teria ido antes mesmo da Polônia. Ao menos, teria me preparado psicologicamente pro que veria e sentiria por lá.

Quando estive aqui no museu, em Curitiba, fiquei imaginando que além do objetivo educacional que este tipo de visita tem, deve ter um importante significado para a comunidade judaica. Muita gente que deixou tudo para trás, fugindo da guerra e enfrentando as dificuldades da viagem, do preconceito e da própria adaptação.

Algumas dessas pessoas estão ali em fotos da época, com os parentes que perderam no horror da guerra. Elas dividem ali as histórias que viveram na pele nos campos de trabalho por toda a Europa, seus dramas e a vitória de terem conseguido a liberdade.

Uma dessas pessoas, por exemplo, é Sara Goldstein (nascida Sara Littner), que conheceu o Papa João Paulo II, no sul da Polônia, quando os dois ainda eram crianças. Ela conta que mesmo antes da guerra a vida não era fácil para os judeus. Ela veio a falecer em Curitiba, em 2014, mas antes disso deixou (ainda bem) muita coisa sobre os detalhes emocionantes da sua vida.

É possível conferir ainda materiais da propaganda nazista e uma infinidade de fotos das batalhas e conflitos que fizeram parte da grande guerra. Apesar de tão ligada à comunidade judaica da cidade, a instituição não se reserva a falar de uma das maiores tragédias da humanidade somente do ponto de vista dos judeus. As vítimas perseguidas por raça, ideologia e oposição ao nazismo também são lembradas.

Apesar de todos os horrores que vemos e ouvimos sobre a guerra e sobre todo o mal causado pelo regime nazista, prefiro partilhar do mesmo sentimento de esperança de Anne Frank, uma garota que sofreu tudo isso na pele, quando disse: “Apesar de tudo ainda acredito na bondade humana”. Como eu disse, esses dados e relatos servem para nos manter distantes do erro de discriminar as pessoas. Melhoramos muito e seguimos ainda melhores, a cada dia.

O Museu do Holocausto fica dentro do complexo do Centro Israelita do Paraná, que comporta também a sinagoga e a Escola Israelita Brasileira Salomão Guelmann. O endereço é: Rua Coronel Agostinho Macedo, 248, no bairro Bom Retiro e as visitas precisam ser agendadas.

Beijos e qualquer coisa, conte comigo!

Gi Salvatti.

Blog Zero Clichês
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2 Comentários

  1. maio 10, 2018 / 12:33 pm

    Foi um dos Museus mais legais (no sentido de fazer pensar) que já fui. Gostei demais de lá. Todos deveriam conhecer.

    • maio 15, 2018 / 7:42 pm

      Oi, Flávia. Fico feliz em saber que tenha gostado ! É assustador pensar em tudo o que aconteceu 🙁

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