O ÚLTIMO SUSPIRO DA POSSE



O modo de consumo está mudando. Um carro, um quarto vazio, uma bolsa, um vestido: você já pensou em dar utilidade a esses bens que ficam ociosos em 90% do tempo? A economia colaborativa pode mudar esse cenário.

As vantagens vão além do lucro para quem aluga e do preço para quem contrata: a personalização e a contribuição para com o meio ambiente, diminuindo o consumo e seus impactos, são mais dois dos diversos benefícios que abrangem esse universo de compartilhamento.

Uma pesquisa feita pela Harvard Business Review apurou que a maioria dos clientes consideraram compartilhar em vez de comprar, desde que isso lhes permita economizar 25% ou mais em sua compra. De acordo com uma das maiores prestadoras de serviços do mundo, a PwC, a economia de compartilhamento internacional movimentou cerca de 15 bilhões de dólares só no ano de 2014. Se continuar nesse ritmo de crescimento, deve ultrapassar a marca de 335 bilhões até 2025.

É o caso do Airbnb, do Spotify, SoundCloud, Couchsurfing, Skoob e até do famoso Uber. A força adquirida por essas empresas, neste cenário, é impressionante: o Airbnb, por exemplo, não possui nenhum quarto, mas ao mesmo tempo tem mais quartos disponíveis espalhados pelo mundo do que todas as redes hoteleiras.

A prática de compartilhar tem ganhado o status de filosofia e pode fazer com que bens duráveis se tornem um investimento. Invertendo assim a lógica de despesa da compra de um objeto para uma fonte de renda, ou ao menos, um meio de recuperar parte do dinheiro gasto.

O mercado da colaboratividade também tem se mostrado eficiente no sentido da autorregulação da qualidade dos produtos e serviços. Os usuários deixam suas opiniões e informações, para que o próximo cliente saiba o que esperar e até mesmo evitar. Assim, em uma espécie de seleção natural, as experiências negativas acabam saindo de cena e antes de usar os serviços e produtos compartilhados, os usuários já sabem o que esperar.

É possível ainda perceber que a imagem das marcas associadas a economia colaborativa, não só pelos preços mais competitivos, são frequentemente encaradas como relações justas de negócio: é quase como se elas fossem amigas dos usuários.

É claro, nem todos são tão abertos a este tipo de consumo, mas você provavelmente conhece alguém que tentou remar contra a maré e acabou ficando pra trás. Quem sabe não é a hora de reconhecer e aceitar os riscos inerentes ao que é novo e começar a compartilhar?

Escrito por Gi Salvatti, editado por Matheus Carneiro
Imagem: collective-evolution

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