O que sei sobre o Islamismo

 

Decidi fazer esse post depois de conhecer um pouco do islamismo e ver que é raso demais o que frequentemente ouvimos falar sobre essa religião. O Brasil tem a 2ª maior comunidade muçulmana das Américas, com mais de 1,7 milhões de seguidores ficando somente atrás dos EUA. O islamismo tem adeptos pelo mundo todo, mas a maior parte ainda se concentra nos países do Oriente Médio, onde foi criado e se tornou popular.

A religião foi fundada pelo profeta Mohammed (Maomé, em português) quando, de acordo com a história, o Alcorão lhe foi revelado. Para os muçulmanos, Jesus foi apenas um dos profetas e não um tipo de salvador. O muçulmano acredita poder chegar até o paraíso por seguir os ensinamentos do profeta da sua religião, não o tendo como um messias, mas como o revelador da doutrina (rituais e condutas) que culmina na salvação e encaminha ao céu.

 

Quase tudo que a maioria de nós ocidentais sabemos vem do que a mídia propaga em relação à guerra que ocorre nestes países e sobre o radicalismo, ao qual atribuímos os atos de grupos terroristas. Pois saiba: o Islã é muito mais do que isso (não dá pra ser superficial). O terrorismo tem muito mais a ver com fatos político-econômicos do que com os preceitos da religião em si.

Países influentes se aproveitam destes conflitos: financiam e armam estes grupos que não precisam de muitos motivos para guerrear. Assim, aumentam a crise e a instabilidade, ganham o aval da comunidade internacional para estarem sempre intervindo politicamente e defendendo seus interesses. Enfim, o chamado “Estado Islâmico” é uma organização criminosa que fere os preceitos da própria religião e que não representa a comunidade muçulmana.

O islamismo significa basicamente “submissão e entrega a Deus” e a mensagem central é a mesma de muitas religiões monoteístas: adore a Deus, faça o bem e respeite o próximo. Inclusive, o Deus do islã é o mesmo de Abraão, de Moisés e do cristianismo. É o mesmo do judaísmo e de muitas outras denominações religiosas, que têm sua orientação baseada na paz e no amor. Eles oram 5 vezes por dia, em direção a Meca, cidade onde nasceu o profeta.

 

A guerra entre xiitas e sunitas começou com a morte do profeta Mohammed. As escrituras diziam que os mais velhos deveriam escolher o sucessor do profeta, e a tradição anterior dizia que teria que ser alguém do sangue do profeta, seu primo Ali, nesse caso. Os sunitas se posicionam a favor das escrituras e os xiitas a favor da tradição (e da sucessão pelo primo). Alguns tornam isso motivo de debate e outros infelizmente, mais radicais, tornam isso motivo de guerra.

A questão do machismo é algo muito debatido e infelizmente é um fato cultural, assim como aqui no ocidente, que é um fato que independe da religião e localização geográfica. Prefiro não entrar nesse mérito, mas é importante dizer que algumas mulheres têm muito respeito pelo fato de usar a burca (aqueles trajes mais reservados) e por outros costumes, assim como há outras que não aprovam: defendo o direito de cada uma delas. O problema é que algumas ainda não têm voz, mas isso está mudando. Sabemos que a luta pela liberdade feminina não é uma exclusividade das mulheres muçulmanas e isso (e nem nada) pode ser motivo de preconceito com a religião. É como eu sempre penso: ver com os próprios olhos para ter o seu próprio ponto de vista.

 

O surgimento do islamismo se deu sim em um cenário muito hostil, ao final da Idade Média e durante a queda do império romano. Era uma época tão dura que a própria Igreja Católica tinha instaurado a Santa Inquisição, que de santa teve quase nada e acabou matando milhares de pessoas (não se sabe ao certo quantos) com acusações de heresia, ou seja, por convicções puramente religiosas.

Nesse cenário bárbaro, os povos do deserto eram grandes guerreiros, porque era assim que se vivia naquela época. Isso não quer dizer de maneira alguma que os muçulmanos são agressivos ou hostis. Muito pelo contrário, eles são muito amigáveis e super dispostos a explicar sobre as suas crenças.

 

Termino este texto, sugerindo a você que procure a mesquita mais próxima e tire essa má impressão de que tudo no islã é radicalismo. Existem sim muitos grupos radicais como em qualquer religião. Esses grupos de pessoas são usados, como citei antes, por governos como EUA e Rússia (entre muitos outros) para propósitos econômicos, que têm muito a ver com o mercado mundial de petróleo.

Esses radicais não representam a maioria do islã. A maioria são pessoas boas que valorizam a paz, o caráter e a boa convivência entre as religiões. Procure conhecer essa tradição linda e cheia de história! Estive em uma delas este ano (foto de capa), para um ensaio fotográfico com o querido @lucianogaleazzi e fomos muito bem recepcionados. Como não amar a arquitetura, a estética, os ornamentos, os tecidos e todos os aspectos que permeiam o universo riquíssimo da cultura muçulmana?

Beijos e qualquer coisa, conte comigo!

Gi Salvatti.

Blog Zero Clichês

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