O que sei sobre o Budismo

Budismo Buda

Mais uma vez vim aqui falar de uma não-religião. Não que eu seja contra as religiões (tenho, inclusive, amigos em quase todas elas), mas tenho um certo apreço por aquelas que não nos impõem certezas e que procuram a paz como primeira ordem. O budismo, assim como a conscienciologia, é uma dessas filosofias que tanto me encantam. O que quero dizer com paz, também é a liberdade de crença e de não-crença, enfim, que essas doutrinas nos proporcionam.

História

O budismo nasceu na Índia, segundo historiadores, próximo dos anos 500 a.C, na região que hoje é conhecida como o Nepal. As escrituras budistas contam a história de um príncipe, chamado Sidarta Gautama, que vivia em um castelo dentro de uma pequena vila cercada por muros. O rei, seu pai, tinha como missão de vida evitar que o filho conhecesse as dores do mundo e por isso nunca permitiu que ele atravessasse os portões para fora dali.
As pessoas que ficavam doentes ou velhas, eram retiradas para fora dos muros para que morressem e sofressem lá fora, longe dos olhos do garoto. As grávidas também, pois o parto era muito traumático e havia riscos de morte tanto para a mãe quanto para o bebê.

Gi Salvatti no templo budista em Foz

Quando o príncipe ficou mais velho ele quis conhecer o mundo e ver de onde vinham tantos temperos, músicas e coisas tão diferentes. O rei então permitiu que ele saísse para dar uma volta, mas novamente, tirou todo o sofrimento do seu caminho. Sidarta, que não era nada bobo, apesar de não entender nada sobre a dor, tinha uma sensibilidade incomum e percebeu que o pai escondia algo, então resolveu tomar uma atitude.
Seu pai, garantiu que desde sempre, que um vassalo (um empregado) o acompanhasse e o guardasse sempre que ele estivesse acordado. Em uma das noites ele deu um sonífero para o seu guardião, que adormeceu, e então ele finalmente conseguiu sair do castelo.
Logo depois de sair, avistou uma casa cheia de pessoas doentes, e nada entendeu. Viu e sentiu, no olhar daquelas pessoas, pela primeira vez o que era a dor de estar doente. Chorou muito e em um primeiro momento, desejou não ter saído do seu palácio. Depois disso conheceu os outros 3 sofrimentos da vida humana: o nascimento, o envelhecimento e a morte. Assim, encontrou uma missão em sua vida: evitar o sofrimento. Deixou o palácio e foi meditar na floresta junto a outros eremitas.

Oratório Budista

Lá descobriu, já sozinho (pois todos os outros companheiros já haviam desistido) depois de muitos anos, que não podia parar a vida para interromper o sofrimento e que a resposta estava na eliminação dos desejos. Para ele, o desejo era a fonte do sofrimento, e a grande ilusão que despertava as piores mazelas da vida humana. Então sentou embaixo de uma figueira e decidiu desapegar de tudo o que lhe fazia sofrer. Muitos anos depois, conseguiu compreender plenamente algo que ainda não compreendemos, e finalmente atingiu a iluminação.

O que eu percebo

Encaro esse aprendizado do Buda como algo que percebemos na vida, principalmente nos dias de hoje. Inclusive temos várias provas de que quanto mais desapegados somos, de coisas e ideias, mais felizes nos tornamos. Então esse me parece um conceito bem atemporal. Por isso, e por outros motivos, admiro essa filosofia.

Gi Salvatti no templo budista

O budismo se espalhou pelo oriente: trouxe elementos dos vedas, do hinduísmo e, por conta da sua versatilidade e abertura, parece ter absorvido rituais e elementos das religiões locais dos lugares por onde passou. Na China se mesclou ao taoísmo e a outras doutrinas, no Japão recebeu influências do xintoísmo e se tornou um pouco mais devocional, mas ainda sem ter a figura de Buda como um ídolo, e sim como um mestre. O budista não idolatra Buda, ele o admira como mestre e deseja profundamente chegar aonde ele chegou, reconhecendo sua incrível capacidade de esforçar-se para tal.

Agradeço ao @lucianogaleazzi pelas fotos!
Beijos e qualquer coisa, conte comigo.

Gi Salvatti

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