Alfredo Andersen e o Museu

Museu Alfredo Andersen

 

Aqui vai mais um post da série: “Estou em Curitiba e vou mostrar ela todinha para você”. 😀 Dessa vez, falando não só de um lugar, mas de uma pessoa que veio de longe e que mudou o caminho das coisas por aqui. E que por isso, ganhou a notoriedade e um até um museu em seu nome. De acordo com a história que deixou para ser contada, é dessas pessoas que a gente gostaria de ser e que nos espelhamos por querermos também a coragem de levantar, sair da zona de conforto e fazer a diferença.

O cara era um multi artista: pintor, decorador, cenógrafo, desenhista e professor. Frequentou a Academia Real de Belas Artes em Copenhage em 1891 fez sua primeira viagem para a América do Sul, e dois anos depois veio parar no Brasil. Gostou tanto que decidiu morar em Paranaguá, onde ficou por quase 10 anos.

Durante a viagem de navio ele registrava as cenas daquele cotidiano nas velas rasgadas dos barcos, que serviam como tela. No litoral paranaense ele registrava as lindas paisagens naturais, do porto e da estrada de ferro nas suas obras. Também fazia retratos dos moradores locais (os caiçaras) e das pessoas da sua convivência, com uma sensibilidade artística impressionante.
Alfredo enfrentou a dureza do seu pai, que não queria que ele fosse artista e tamanha sua entrega pela arte, que fazia ele mesmo suas próprias tintas, misturando pigmentos. Ainda hoje é difícil restaurar suas obras pela dificuldade em encontrar o tom das suas cores.

 

Para ganhar dinheiro na capital, fazia retratos de personalidades e dava aulas particulares para herdeiros da elite paranaense. No entanto, nunca deixou que a arte virasse mera mercadoria e continuou a pintar as paisagens nas viagens que fazia pelo Brasil. Mas como decidiu casar com a brasileira Ana de Oliveira, e abrir seu ateliê na capital, tinha que encher a geladeira e pagar os boletos. 😆
Andersen seguiu por toda sua vida com a missão corajosa de ensinar e valorizar a arte. Organizava exposições individuais e coletivas, na capital, com os artistas locais e de outras regiões. Nunca abandonou as aulas de pintura, que ministrava com muito amor e dedicação e que tanto o ajudaram a subsistir sem o apoio de seus pais, que ficaram lá na Noruega.

 

Nos meados de 1925, se instalou no casarão onde hoje funciona o Museu Alfredo Andersen, ali na Mateus Leme (antiga rua Conselheiro Carrão), bem próximo ao Shopping Mueller (que obviamente não existia na época hahahah). Eles moravam embaixo e dedicavam a parte de cima para as atividades artísticas e aulas de pintura. A casa já tinha pertencido ao fotógrafo alemão Adolfo Volk, um dos primeiros de Curitiba.

 

Pesquisando a história de Alfredo Andersen cheguei a conclusão de que, já naquela época, éramos todos cidadãos do mundo e que só nos faltava a coragem que ele tinha. Hoje, graças ao progresso, temos muito mais recursos e meios para exercer esse direito de viajar. Eu amo, e você?

Saiba mais sobre essa história no Museu Alfredo Andersen, que fica precisamente na Rua Mateus Leme, 336. Vale a pena conhecer!

Beijos e qualquer coisa, conte comigo.

Gi Salvatti

Blog Zero Clichês

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