Carnaval de Antonina, Paraná

 

Escola de Samba do Batel - Antonina

 

Por Diego Rodrigues

Antonina foi fundada em 1714, as margens de uma baía, e é carregada de história. É repleta de construções antigas e ruínas de antigas empresas e indústrias (Complexo Industrial Matarazzo, Casarão Macedo e outras). Esse nome foi dado em homenagem a Dom Antonio, filho primogênito do Rei de Portugal. Já recebeu personalidades históricas como Dom Pedro II e seu povo se orgulha disso: adotou como sede da sua prefeitura a morada que o hospedou.

A cidade tem carnaval de rua desde meados de 1920, e antes disso os bailes já ferviam nos clubes fechados da cidade. Dizem que estes bailes carnavalescos foram ganhando vida com a tradição dos moradores de se fantasiarem e saírem nas ruas, por diversão, e que quem não se fantasiava recebia como “castigo” um balde de água do mar na cabeça.

 

Casarão Armazém Macedo - Antonina, Paraná

 

Como toda cidade portuária, Antonina acabou bebendo na fonte da cultura de povos litorâneos brasileiros. Do Norte, veio o Boi Barroso (logo passou a se chamar Boi do Norte) que criou o movimento que começou a levar o carnaval pra rua. Logo depois, foi fundado o bloco Apinagés, que traz no nome a raiz indígena do município, cercado de sambaquis e sítios arqueológicos. Este último, tamanha a sua força cultural e dedicação dos seus membros, apareceu até no programa Fantástico, da Rede Globo, no ano de 1975.

Ao longo do tempo, as escolas de samba foram surgindo com elaborados enredos e fantasias. Ainda há muita competição, mesmo que não haja mais um concurso oficial que escolha uma campeã do desfile. Há um grande esforço dos nativos em manter a tradição. É bonito ver o empenho com que realizam todos os anos, sem muito apoio financeiro, a sua festa.

Carnaval de Antonina

 

Conheci o carnaval de Antonina em tenra idade, lá pelos 16 anos. Foi amor a primeira vista, pois em Curitiba, onde nasci e me criei, não existe uma tradição carnavalesca que resista à outra tradição, de manter tudo em absoluta normalidade. Os bloquinhos andam tentando ganhar espaço na capital ultimamente, mas ainda têm muita luta pela frente para se estabelecerem.

Na pequena cidadezinha do litoral paranaense, é diferente: não existe essa preocupação. A festa não respeita o calendário, vai de segunda a segunda: se não é música ao vivo nos bares da Ponta da Pita ou no centrinho histórico, são os bailes de final de semana e as reuniões da velha guarda do samba (e da MPB) no Mercado Municipal, na Feira Mar. Há pouco tempo atrás havia ainda uma seresta: um grupo de músicos percorria o centro da cidade tocando músicas românticas sob a luz do luar. As casas têm ainda as plaquinhas com o nome de músicas na sua fachada, que iam criando, ao longo do caminho, o repertório. Sendo assim, o carnaval parece ser mera consequência dessa energia!

Placa em casa com nome de música para a seresta.

Placa com nome de música para a seresta.

O carnaval de rua começa só à noite, assim dá tempo do pessoal da capital descer a serra, dos pescadores armarem as redes e dos turistas (e ressacados da noite passada) darem um mergulho no Rio do Nunes. Tudo isso depois de comer caranguejo (ou o famoso barreado) em um dos muitos restaurantes da cidade e de visitar as fábricas de bala de banana, tradicionais na região.

Curiosidade: em Antonina, todo mundo tem apelido! Chega a ser engraçado: tem gente que nem é conhecimento pelo seu nome de batismo.

 

 

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Diego é publicitário. Pai da Julia e do Yoji, dois japinhas abrasileirados de olhos quase redondos. Tá enrolando a Dayane pra casar, mas garante todo ano que “esse ano o noivado sai”! (Eles dois ajudam o Zero Clichês a funcionar e estão sempre ali, nos bastidores.) Ele ama São Paulo, mas vive em Curitiba e vice e versa. Está sempre com um pezinho em Antonina, mas ainda não tem apelido!

 

      

Giovanna Salvatti
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