Viagem para o Pará: Bragança

Giovanna em Barco para Bragança, no Pará

 

Estou adorando conhecer melhor o norte do Brasil, e o Pará, que é o segundo maior estado brasileiro em extensão. Esse post está mais fresquinho do que nunca! Quem me acompanha pelo @gisalvatti no Instagram já sabe: estive em Bragança ainda esta semana, há menos de 1 semana do final do ano e agora vou contar tudo pra você!

História e nome

É uma das cidades mais antigas do estado do Pará. Ela funcionava como uma proteção para a saída da prata diante da ameaça dos piratas, pela rota que vinha desde o Peru. Quem chegou primeiro por lá foram os franceses, expulsos do Rio de Janeiro.

Os índios até gostavam dos franceses porque eles tinham outro jeito de lidar com os indígenas. Enquanto os espanhóis e os portugueses eram duros e intimidadores com os membros das tribos, os franceses demonstravam amplo respeito com a cultura indígena. A guerra com os Tupinambás só começou mesmo depois que os portugueses expulsaram os franceses. Foi nesse conflito que os índios acabaram sendo, aos poucos, dizimados. Contam ainda os moradores, que os índios da região eram muito honestos nas suas negociações.

Daniel de La Touche, general francês que fundou o Maranhão, tentou entrar no Pará procurando o caminho pra chegar até as jazidas de prata. Quando os portugueses perceberam logo botaram os franceses pra correr. Eles então deixaram o território brasileiro e partiram para as Antilhas. Em seguida foram para a região que hoje se conhece como Guiana Francesa.

Barco Bragança

 

Ficaram no Brasil somente os espanhóis e os portugueses, que dividiram o território naquele famoso tratado que você já deve ter estudado na escola: O Tratado de Tordesilhas. A maior parte do Pará ficou com os espanhóis. Bragança ficou na parte portuguesa, e por isso recebeu fortes influências, começando pelo seu nome, análogo à cidade portuguesa.

Diz-se por que que os espanhóis tornaram a região da antiga Bragança (colônia de Benjamin Constant) uma das mais produtivas da época. Os trabalhadores tinham direito a 5kg de pão e 7kg de carne durante a semana e o resto tinham que dar um jeito e se virar.

Os espanhóis vieram da Galícia, pararam no Ceará, encheram o navio com imigrantes cearenses e foram para o Amazonas trabalhar como seringueiros. Saltaram em Belém, vieram de trem até Bragança. Antes disso, pararam no posto sanitário e ficaram no barracão na beira do rio: lutaram com os índios, com as onças e com o que fosse “necessário”.

É o maior polo pesqueiro da região norte/nordeste do Brasil, sendo responsável por abastecer a maior parte do estado do Pará e regiões próximas.

Onde ficar? (Hospedagens)

Como já disse, eu não fiquei em hotel fiquei na casa de amigos, mas pedi recomendação do pessoal da cidade e me recomendaram esses que listei a seguir. Dei preferência para hotéis mais próximos, mas existem algumas outras opções mais retiradas, com uma atmosfera mais interiorana.

Marujos Suíte Hotel: fica no centro da cidade, em uma ótima localização. Dizem que o café da manhã é excepcional, com uma grande variedade. Tem elevador, ar condicionado, conexão wi-fi (não muito estável) e quartos amplos para até 4 pessoas. Não é muito sofisticado, mas é provavelmente um dos melhores que você vai encontrar na cidade.

Pousada Casa Madrid: é um lindo casarão antigo histórico construído em 1890 por uma família de espanhóis. Foi muito bem reformulado para atender como hospedaria e a localização também é ótima. Os quartos são arejados e o café da manhã dizem ser muito bom. Ponto para o atendimento, que foi um dos pontos altos relatados por quem me recomendou.

Hotel Solar do Caeté: fica bem próxima da igreja de São Benedito, de frente para o rio Caeté. É um dos mais queridos pelos turistas que batem cartão por lá. Tem um restaurante bem bacana e a construção é inspirada na arquitetura colonial, seguindo esse clima antigo que está por toda a cidade. O conforto é mediano, mas isso se deve em grande parte à fidelidade histórica e tradicional do local, sem muito foco na tecnologia.

Onde ir? (Passeios)

Aqui vão alguns passeios e lugares pra conhecer em Bragança. Selecionei alguns locais que são carregados de histórias e outros que também tem algo de especial. Você não pode deixar de visitar!

Igreja de São Benedito: construída pela irmandade de São Benedito em meados de 1875. Tem o charme das construções daquela época e fica bem na orla.

Igreja Matriz: construída com arquitetura colonial, fica na praça das bandeiras, no centro da cidade. Foi um dos primeiros templos a serem construídos em Bragança.

Mirante de São Benedito: Tem uma visão ampla da frente da cidade e dá pra ver o pôr do sol de lá*.

Mirante São Benedito - Bragança

 

*Dica de ouro: quando você estiver de frente para a escadaria que sobe até o mirante, vire à sua esquerda e você terá acesso a um píer. Posso dizer que assistir o pôr do sol ali é até melhor do que lá em cima do mirante.

O tacacá da Cantina do Mirante é um dos melhores da cidade!

Passeio de barco: os barcos saem da Vila de Bacuriteua

A praia de Ajuruteua: Fica a 30km de Bragança e é cercada por barzinhos e restaurantes. Vale a pena o passeio!

**Meios de transporte: Você pode se locomover pela cidade (e suas praias) por meio de táxis e mototáxis. Eu recomendo alugar um carro em Belém e vir para Bragança porque os táxis não têm taxímetro e são bem escassos na cidade. Se você pensa em ir para a praia e explorar a região, considere alugar um carro, que é uma opção bem melhor!

Os locais têm uma superstição, que vai além da religiosidade comum à região (Festa da Marujada e procissão de São Benedito): “A ponte so rio Caeté só está de pé porque não passa menina virgem em cima”. Hahaha! É cada uma! 😀

Os Bares de Bragança

Benquerença: em frente a orla, um dos bares mais frequentados pelos bragantinos. O meu pedido foi uma casquinha de arraia, uma entrada tradicional na região.

Adega bar: um bar “diferente”. Cheio de antiguidades, histórias, até um avião montado pelo próprio dono do bar que conta com orgulho a história de cada item do lugar. O lugar não tem lanches, ou jantar… só bebidas, sinuca e pebolim.

Adega Bar - Bragança

 

Rex bar: bem tradicional na orla. Eu diria que é clichê no Pará, mas como o Pará em si não é nada clichê… pode, né? O bar é um point de encontro. A música ao vivo faz com que a cena fique animada.

A minha percepção

Meu primeiro contato com a cultura paraense foi surpreendente (de uma maneira positiva). Estar aqui no Pará foi como estar em um outro país: a alimentação, as tradições, o clima e até a língua (pelas gírias e palavras de origem indígena e cabocla). Me senti como se estivesse em um filme que rebobinou alguns anos. Apesar da internet funcionar perfeitamente na cidade, as pessoas esquecem o celular e fazem questão de interagir o tempo todo.

Rio Caeté - Bragança

Pôr do sol no pier que falei na dica.

 

Os paraenses são ótimos anfitriões, fiquei na casa de uma amiga da amiga do meu tio, que me tratou como se eu fosse filha dela. Não só ela, mas a família e os amigos também. Fizeram questão de me mostrar cada canto da cidade e fazer com que eu provasse cada iguaria, uma a uma. (Alguma dúvida de que estou com alguns quilinhos a mais?) 😀

 

Beijos e qualquer coisa, contem comigo!

Gi Salvatti.

Comments

  1. Jader Turiel
    fevereiro 5, 2018 / 2:52 pm

    Parabéns por divulgar em seu blog a nossa querida cidade de Bragança que tem 404 anos de história, tradição e cultura. Sucesso amiga Giovanna. Abraços.

  2. Eduardo Turiel
    fevereiro 5, 2018 / 9:39 pm

    Parabéns! As informações repassadas ficaram bem guardadas na sua memória.
    Bragança agradece e venha outra vezes.

  3. Bira Oliveira
    fevereiro 6, 2018 / 8:52 am

    BRAGANÇA lhe aguarda sempre!

  4. Rosana Seixas Paixão
    fevereiro 6, 2018 / 3:57 pm

    Parabéns por sua excelente reportagem sôbre a minha terra Bragança- PÉROLA DO CAETÉ.

    • março 27, 2018 / 8:38 pm

      Muito obrigada!! Sua terra é maravilhosa! Fui muito bem recebida e quero voltar!!

  5. Elder Jose dos Santos
    fevereiro 6, 2018 / 4:03 pm

    Já vi e li varias matérias sobre minha Bragança, mas contada desta maneira foi a primeira vez, muito bacana contada desta forma bucólica e nostálgica, parabéns e venha mais a esta terra.

    • março 27, 2018 / 8:40 pm

      Oi, Elder. Fico contente em saber. A idéia é escrever da forma mais lúdica possível. A sua cidade é MARAVILHOSA!!! amei muito !!

  6. Paulo Osterne
    fevereiro 7, 2018 / 1:19 am

    Bragança …
    um encanto..mais do quer estar em Bragança é viver nossa cidade..interagir.
    obrigado pela visita.

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