Viagem para o Pará: Ilha de Algodoal (Maiandeua)

Ilha de Maiandeus - Algodoal - Giovanna Salvatti

 

Um post sobre um lugar como este já começa com uma curiosidade: o nome da ilha na verdade é Maiandeua, mas o apelido que pegou (Algodoal) vem da mais popular das suas quatro vilas. A origem desse nome tem duas hipóteses: há em grande número na ilha uma planta que parece algodão. E as dunas, que quando vistas de longe pelos navegantes lembram campos de algodão.

A ilha foi ”fundada” em meados de 1929 e tem mais de 20 km em extensão de praias, manguezais e trilhas ecológicas.

Como chegar?

Saindo de Belém, vá pela BR-316. Em seguida pegue a PA-136 e então siga pela PA-138 (todas em bom estado) até o porto de Marudá. Lá você irá pegar um barco com destino à ilha de Algodoal (Maiandeua).

Só há essa possibilidade de acesso à ilha: carros ou motos não circulam na ilha. Para se locomover você pode contar com bicicletas ou charretes puxadas por tração animal: nada de poluição!

Onde ficar?

Antes de escolher lugares para se hospedar, você precisa saber de algumas coisas:

Na ilha tem as pessoas que moram lá durante todo o ano e tem os “garimpeiros”, que vão somente na época de alta temporada para fazer algum dinheiro com o turismo local. Algodoal sobrevive praticamente por causa do turismo e essa prática dos garimpeiros (que gastam o dinheiro ganho longe de lá) acaba prejudicando a economia da ilha e de quem depende dessa fonte de renda para viver. Sabendo disso, antes de usar algum serviço ou comprar algum produto, procure se certificar de estar negociando com um nativo e contribuindo para sua subsistência.

 

Quanto mais perto da Praia da Princesa você ficar, melhor vai ser a sua localização. A pousada Ponta do Boiador parece ser muito boa. Não me hospedei lá, mas vou recomendá-la no lugar da pousada que eu fiquei porque eu realmente não gostei dela.

*Sempre desconfie de hospedarias que tenham muita informação na internet. A conexão raramente funciona na ilha e você pode estar entrando em uma cilada: tem gente que se aproveita disso para dar calote, então é bom checar muito bem antes de efetuar qualquer depósito ou pagamento antecipado.

No Pará é muito comum dormir em redes e mesmo que você tenha ido sem lugar para ficar, tem boas chances de encontrar uma rede para pernoitar. Os nativos recebem os turistas na casa deles e quase todo mundo tem redário por lá. Não é uma cama super confortável, mas com certeza será de coração: é um povo simples, acolhedor e receptivo.

Minha percepção do lugar

A ilha de Algodoal é um lugar simples e mágico. Quando digo simples, quero me referir ao modo em que as pessoas vivem: a gastronomia, por exemplo, é riquíssima. A cultura algodoalense é muito rica e cheia de lendas. Os locais adoram contá-las para os turistas!

Se você tiver a oportunidade de se aprofundar na cultura local, vai perceber que os moradores locais acabam priorizando tudo que seja natural: desde a alimentação até os remédios, e até os partos que normalmente são feitos por uma parteira. Claro que a dificuldade de acesso e os meios disponíveis contribuem pra isso, mas há sim uma vontade coletiva de manter o modo de vida tradicional.

Tanto que a luz elétrica só chegou por lá no ano de 2005. Antes disso, era só a iluminação do dia, lampiões a diesel, velas, lanternas. E se dependesse de uma parte dos moradores, ela não teria vindo até hoje: muitos grupos foram contrários por acreditarem que isso traria muitos problemas modernos e que fariam mal o meio ambiente. A água vem de poços artesianos e por isso às vezes falta.

Ilha de Maiandeus - Algodoal

 

Como comentei ali em cima, é proibido a entrada de veículos motorizados na ilha e algumas pessoas usam charretes. Eu particularmente preferi não utilizar porque morro de dó dos animais, que às vezes carregam o peso de até 5 pessoas e mais algumas malas.

No final da tarde em alta temporada a Praia da Princesa lota, mas é só uma parte. Eu fui um dia nesse agito e logo me mandei embora. Nao é minha praia. Descobri que quanto mais se anda em direção contrária a vila, mais sossego pode-se ter.

Falo dessa agitação, mas saiba que a calmaria ainda predomina: Algodoal ainda é basicamente uma vila de pescadores. O fluxo de pessoas só se intensifica mesmo nas férias de julho, na semana santa e no réveillon.

Nessas épocas, pra quem gosta, lá tem uma vida noturna razoavelmente agitada ao som de reggae, tecnobrega, o carimbó e outros ritmos regionais.

Minhas recomendações

Restaurante do Chico: fui lá todos os dias, pelo menos em uma das refeições. O lugar tem uma comida super caseira, o atendimento é ótimo e sempre tem boas opções de cardápio, que variam de acordo com o que tiver de mais fresco.

Ellen Lanches: comi uma tapioquinha incrível por lá. Um dos proprietários é nativo da ilha: vale ir lá nem que seja só para ouvir algumas boas histórias, eles adoram conversar!

Mupéua: é o ponto de encontro dos gringos que visitam a ilha. O bar tem um ótimo ambiente e uma energia bem legal. Vale a pena conferir!

Ilha de Maiandeus - Algodoal - Barco

 

Barraca do Coco: fica no caminho para a Praia da Princesa. Um “prato feito” simples e delicioso. Além disso, é uma ótima dica de lugar para descansar daquele sol que torra a cabeça. Às vezes tem música ao vivo por lá.

Ilha de Maiandeus - Algodoal - Gi e sua amiga

 

Lagoa da Princesa: é um passeio imperdível, mas só vale a pena ir durante o inverno paraense (em meados de julho). Fui em janeiro e ela estava sequinha! Que decepção! Há duas trilhas que dão acesso à lagoa, que é cercada de mistérios e lendas (dizem ser o reino submerso de uma princesa já avistada por pescadores). Foi escolhida por um concurso gringo como uma das 10 praias mais interessantes do Brasil!

Ilha de Maiandeus - Algodoal

 

Ilha do Marco: tem os botos e a Pedra Chorona (os povos antigos acreditavam que a pedra chorava por verter água do seu interior, mas na verdade se trata de um olho d’água).

 

Beijos e qualquer coisa, conte comigo!

Gi Salvatti.

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