Viagem para Beijing, China

 Edifício CCTV. Beijing/Pequim, China.

Por Leonardo Espolador.

Se for para a China, especificamente a capital Beijing, não vá pensando que será apenas um suave passeio verdadeiramente oriental e que irá conhecer a Grande Muralha e a Cidade Proibida saboreando pelo caminho um típico “flango” com vegetais ao estilo wok.

Diferentemente das “ocidentalizadas” Shanghai, Guangzhou e Hong Kong, situadas mais ao sul, Beijing, mais ao norte, seria a típica China ainda bastante enraizada em suas tradições e costumes milenares, e ainda não totalmente aberta ao mundo ocidental.

Vá de mente aberta e preparado para episódios inesperados do início ao fim. Embora o meu tom pareça um tanto negativo ou pessimista, Beijing foi um dos lugares mais interessantes onde já pisei e também onde eu aprendi uma grande verdade: se quiser viajar para lugares verdadeiramente exóticos ou simplesmente viajar além dos limites dos velhos clichês, viaje fora do padrão e siga as pistas dos locais ou daqueles que se aventuraram antes de você.

Irei contar agora três momentos que mais me marcaram nessa viagem.

De início, o primeiro momento inesperado surgiu logo quando pisei em Beijing. Se for sem guia e por conta própria, certifique-se que seu inglês está em dia e que seus ouvidos também, pois a pronúncia do inglês falado na China costuma ser um pouco complicada. Mais que isso, não espere conseguir falá-lo com qualquer chinês fora do aeroporto, do hotel e de lugares tipicamente turísticos. Geralmente os taxistas não falam e, comigo, esse foi logo de cara o primeiro obstáculo quando saí do aeroporto em direção ao hotel.

Apesar do frio na espinha que senti ao perceber que o taxista não falava uma palavra em inglês e que, tão pouco, ele compreendia o que estava escrito em um papel amassado: nome e endereço do hotel em mandarim, um pouco de improviso e mímica ajudaram, e a sorte também.

O segundo fato marcante dessa viagem para mim foi quando decidi, junto daqueles que viajavam comigo, que iríamos jantar em um restaurante essencialmente local. Tirando o fato de que o estabelecimento se encontrava no subsolo, e que fomos escoltados por garçons que mais pareciam capangas da máfia chinesa, ao chegarmos não havia realmente nenhum sinal de turista ou, sequer, de uma palavra em inglês. No entanto, para a nossa sorte, os cardápios eram ilustrados com as fotos dos pratos e assim pudemos pedir pratos “reconhecíveis”.

Ao pedir um prato que parecia um frango inteiro cozido e recheado, fomos surpreendidos quando o garçom nos trouxe o “flango”, literalmente, ainda inteiro. Sem rodeios, o homem se aproximou com a iguaria trazida em uma mesa retangular móvel, depenou o bicho em nossa frente, tirou suas entranhas, o desmembrou e nos serviu os pedaços. Para um vegano isso seria um massacre post-mortem. E embora eu tenha tentado comer, o cheiro da depenação me impediu de continuar.

O terceiro e último fato que me marcou bastante nessa viagem foi o meu passeio pela Grande Muralha. Diferente daquilo que eu imaginava encontrar, durante todo o meu percurso o céu esteve completamente encoberto de uma forma que eu jamais havia visto antes. Eram camadas e camadas de poluição.

Algo que seus construtores com certeza não presenciaram mesmo durante os períodos de intensa ampliação da muralha quando milhões de árvores foram derrubadas e queimadas para a sua construção produzindo toneladas e toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Havia em mim, naquele momento, uma sensação dúbia de estar, ao mesmo tempo, vivendo o passado longínquo das dinastias chinesas e vivendo o tempo presente da China altamente industrializada.

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Leonardo Espolador tem 32 anos, é casado com Isabela Rossetto e quase pai da Laurinha, que deve nascer nesta semana. Léo, meu amigo de longa, super viajado, tem uma outra característica que o faz diferente dos demais: A sua sensibilidade em prever o que ainda está por vir.
Quem sabe em uma outra oportunidade ele vem nos contar um pouco mais, né Léo?

      
Instagram: @leonardoespolador

Comments

  1. IVETE TONTINI DA SILVEIRA
    novembro 21, 2017 / 9:25 pm

    Aquela menina que conheci aos 12 anos, surpreendeu-me saber que ainda tão jovem se lançou ao mundo. Parabéns Giovanna pela coragem e destreza em enfrentar tantos desafios!👏👏👏👏👏

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